Agora tudo jaz em silêncio, os suspiros, os amores, o furacão dos desvarios.Um dia nesta cama entrelaçados, dois corpos movimentaram-se contínua e voluptuosamente até que mil alegrias desabaram, e os corpos sossegados dormiram mansamente.
E foram sonhos sem fim, de cada lado.Recobrada a força, ia sendo o inferno novamente traçado por aqueles olhos audazes que subiam a seus altares opulentos,acendendo a paixão que se alastrava.
Prostrou-se aos seus pés,de joelhos,e investigou cada palmo do seu corpo.E aquele homem mais seus pecados,esquecia até o seu nome por mais que quisesse lembrar.E tudo mais era frívolo diante daqueles lábios frementes e fumegantes a sugar-lhe as energias.O caminho foi sendo aberto por uma fenda interminável,e na infinita galeria penetrou um morro profundo.Tinha o amor a sua frente e o desejo por detrás,rompendo-lhe seu ódio e seu amor com ferro e suor.E em linguagem de amoroso, puxava-lhe os cabelos para sussurrar palavras febris e medonhas aos olhos do mundo.E lá ia ela cavalgando de modo imponente e altivo, deixando as vezes escapar um suspiro cobiçoso.
Inclinando a face,subjugando o seu desejo, queria arrancar-lhe o lábio.Mas em seguida o devolveu com um beijo.Gira a noite e também os corpos naquela santa indecência, todo aceso em festa, em meio a rubra madrugada.Desejo que afaga, mas não fala a nossa língua.Palavras rápidas,claras,precipitadas e intermináveis...até que uma breve nuvem de lágrimas desaba seguida do corpo que estremece.
Acabou-se a alegre dança que embalava o ritmo da madrugada.Tinham os corações parados como se não fossem mais vivos!Mil alegrias acabaram, mil promessas ficaram sepultas,mil enredos esquecidos.Se estendem os braços inquietos,os olhos sem clareza,os lábios secos e amargos.E novamente em silêncio,tudo jaz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário