segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

À um amor antigo...

O destino me ofereceu algo mais comum e menos romântico. Aquele que não tem nada a pedir nem nada para dar não pode ser generoso.Vive em um mundo medíocre, se conduz mediocremente, ama mediocremente, mas a única mediocridade que ninguém pode ter é a dos sentimentos que inspira: esses não dependem de nós. De outro modo, resisto a acreditar que o impulso que o levou até mim tenha sido medíocre. Que julguem os outros!

Há algum tempo atrás, encontrei no meu caminho o homem perfeito. É inútil descrevê-lo, porque sei até que ponto as pessoas perfeitas deixam de sê-lo quando pretendemos descrevê-las.Talvez não houvesse nele nada excepcional: era simplesmente o homem para mim.As circunstâncias em que o conheci não foram particularmente propícias;ajudavam-me,em troca, a situá-lo na realidade de sua vida cotidiana.

Prometi a mim mesma esperar o seu chamado.Como todo mundo se aferra a teorias mais ou menos defensíveis, a minha é que, para que o amor transcorra naturalmente, o homem deve ir ao encontro da mulher. " A mulher escolhe o homem que a escolherá", diz uma frase saída não sei de onde, com a qual concordo plenamente. Eu o havia escolhido, esperava apenas que ele retribuísse.
As situações irregulares levam seu castigo em si mesmas, e frequentemente os dias de festa eram para mim um vasto deserto de ausência.Acordo, e ainda antes de haver recobrado a consciência total, já sinto que entro no vazio das horas sem sentido: que haja sol ou que chova, para mim tudo é muito semelhante.Aquele dia não o veria, o resto não interessava, nem a favor nem contra.Para mim tê-lo encontrado era como encontrar, à volta da esquina, a imagem viva da felicidade sobre a terra.

Não era passageiro, era o ar, o sol, a vida, era a justificativa dos meus fracassos anteriores: o acaso havia tratado de arranjar as coisas para que pudéssemos chegar um ao outro apesar da diferença de ambientes em que nos movimentávamos.Essa magnífica comprovação, que embelezou ainda mais o meu sentimento, dilacerava agora minhas entranhas como se passasse o dia inteiro comendo vidro moído.
Tenho a infelicidade de pertencer a um grupo de seres humanos, menos numeroso do que se pensa, e para quem o amor é a única coisa pela qual vale a pena viver.
Felizmente não me apaixono com facilidade!

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